Spoiler do Agreste

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Era um dia normal. Eu, a caminho do trabalho, bêbada de sono, e no chacoalho do busão, como sempre. Até que um diálogo no assento dianteiro chamou a minha atenção.

Era uma nordestina, que falava alto pra burro, contando a história toda do filme “A noiva de Chuck”, para a colega desanimada.

-Não é de medo, não! É comédia, sabe?

Fiquei lá, me divertindo com a empolgação da cidadã, e com a cara de sem saco da receptora.

Quando, de repente, a rapariga faladeira solta:

-Ei, você já viu “A colheita do mal”?
-Ainda não, tô querendo ver.
-Acabou de sair, né?
-Uhum, eu vou alugar.
-Nossa, é muito interessante, viu?
-Hm
-É sobre as dez pragas da bíblia. Sabe, as pragas?
-Sei…

(E agora, tentarei ser o mais fiel possível ao que meus pobres ouvidos puderam presenciar)

-Então. É sobre elas. São dez né? Isso. Então, tem todas, a das vacas mortas, do mar vermelho. Tem as varejeiras também. Muito legal, tem todas mesmo, o rio de sangue, a úlcera, os bichos mortos, a chuva de fogos. Muito legal. Tem os piolhos também. E depois a morte dos não seguintes de Deus.
-Hm, legal mesmo.
-E o final é surpreendente, todo mundo pensando que é a menininha que está fazendo aquilo, mas não é. Todo mundo morre e a mulher fica grávida.
-…
-Mas e você, ainda não contou pra tua mãe que tá namorando? Por que? Tá com medo?

Nunca vi uma spoiler tão enrolada, devastadora e dissimulada ao mesmo tempo.

Valeu, Seu Teixeira!

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No último sábado, deixei minha pacata cidade pseudo-interiorana para mais uma mini aventura: conferir a edição 2007 do Nokia Trends, em São Paulo, muito bem acompanhada por Ian, Marina, Guilherme, Marco e Lucas (que além de não ter blog, também não tem 18 anos e por pouco não consegue entrar no troço).

Festa estranha, com MUITA gente esquisita, enfim. Inclusive a gente. Éramos seis (eu te amo Carmensita), e cinquenta por cento de nós desfilavam pomposos black powers. Uma coisa quase fraternal, assim.

Enfim, a festa estava boa, mas acabou, domingo passou e eu estou aqui pra falar do que rolou depois disso. Justamente quando eu voltei pra pacata cidade que deixei no primeiro parágrafo.

Voar pelos metrôs de Sampa às dez e meia da noite de um domingo e chegar faltando cinco minutos pra saída do ônibus não foi problema nenhum. Deixar São Paulo mais uma vez querendo ficar também não.

Mentira.

Enfim, durante o dia, a bateria do tijolar (carinhosamente (não!) cedido pela minha mãe depois de um infeliz episódio que matou o meu Samsungzinho), arriou. E a espertona da Bala Chita não fez questão de saber se alguém tinha tentado contato, subiu no ônibus e bora pra casa. Só no meio do caminho fui me dar conta do quão tarde eu ia chegar, e de que não tinha como avisar meus pais.

Fodeu, pensei.

Ao chegar, a primeira coisa que fiz foi correr pro primeiro orelhão pra dar sinal de vida, e, obviamente, pedir um arrego, pois já passava da uma da manhã, e a minha casa fica simplesmente do outro lado da cidade.

Mas qual não foi a minha surpresa quando… ninguém atendeu. Nem em casa, nem em nenhum celular.

Fodeu, pensei. De novo.

Parei, respirei, e tentei o celular da minha irmã novamente. Dessa vez chamou - Oh, thanx! - agradeci, sem saber que, pra variar eu estava agradecendo cedo demais.

-Maira, alguém pode vir me pegar aqui na rodoviária?
-Nossa, você só chegou agora?
-É, não deu pra avisar, pois a bateria acabou e…
-Mas viu, eu não tô em casa não, e o pai e a mãe estão na chácara…

Bom, não preciso dizer o que eu pensei.

A rodoviária estava deserta, eu era uma pulga com uma mochila nas costas, sozinha naquele lugar frio e… tá, aí eu tomei vergonha e fui caçar um táxi. Mas não tinha. Ninguém, nada. Só eu e a mochila.

Quando eu já estava decidindo entre dormir na rodoviária ou atravessar a cidade a pé - afinal, eu tenho brio o suficiente pra não ser a problemática, a ovelha negra pro resto da vida incomodar um ente querido àquela hora, né - eis que alguém ficou com muita pena de mim, e mandou o Seu Teixeira. Um taxista.

Quando ele apareceu, o mundo se iluminou por uns cinco segundos. Até eu perguntar quanto ficava a corrida até o meu bairro.

-Uns 30, 35.

Adivinhem!? Eu tinha quinze contos na carteira. Aí, tenho que admitir, uma lagriminha rolou. Eu estava morta de cansaço, só queria ir pra casa. Lembrando que eu estava sem as chaves, disposta a apenas pular o muro (eu ainda ia descobrir como) e dormir no quintal. Não era pra ser tão aventura assim, porra.

Enfim, o Seu Teixeira ficou sensibilizado com a minha situação, e num gesto absurdamente legal, me levou embora, pelos míseros 15 reais que eu tinha.

Descobri que ele adora trabalhar durante a noite, que já perdeu duas mulheres por conta disso, e que às 5 da manhã ele toma uma cerveja no bar, antes de ir embora. E outra em casa, às 6, antes de dormir.

Segundo ele, as coisas mais esquisitas acontecem durante a noite. Ele não sabia com quem estava falando.

Ao chegar, acabei descobrindo que a vizinha estava com uma chave, e eu poderia finalmente descansar. Por umas três horas, ao menos. Na cama, não no quintal.

E ficou combinado: da próxima vez, eu chego lá pelas 5. E vou tomar uma cerveja com o Seu Teixeira.


Update: e por falar em gesto legal, o pessoal do Jacaré Banguela matou a pau com esse vídeo, que explica a campanha “Adote uma Carta”, realizada pelos Correios. Muita gente boa apoiando, e o Substantivolátil também apóia!

Síndrome de fim de ano


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Um belo dia nas últimas semanas, ao chegar em casa, vi bolas em cima da mesa. Eram bolas douradas, reluzentes, bolas trabalhadas, tão belas, tão bolas, tão… sei lá, redondas. Tá, eram bolas de árvore de natal.

Quase entrei em depressão na mesma hora.

Como assim!? Quis guardar tudo aquilo, ainda não era hora de árvore de natal! Em vão. Além das bolas, já estava a árvore, daquele verde meleca, montada no canto da sala. E aquela estrela esdrúxula de pôr no telhado. Mais, tinha também um papai noel na janela, que até agora eu me assusto quando olho, achando que aquela barba branca é o meu poodle escalando a grade. Cruzes.

Enfim, deixei a árvore pra lá. Não dava mais pra negar mesmo, final de ano tá por aí. Não que eu não goste das festas e tal, mas é que exatamente nessa época tudo começa a ficar muito esquisito. Muito mesmo.

Todo mundo querendo mostrar que se ama mais, desde fingir que é gostoso levar o filho pra caçar aqueles papais noéis medonhos que ficam dando balinhas no centro da cidade, até brincar de “amigo secreto” com aquela cretina da outra sessão, que você o-de-ia! Sem contar dar presente até pra sogra.

E mais ou menos por agora começam as promessas. Ai, as promessas. Parar de beber, de fumar, de gastar, emagrecer, estudar. Mas tudo, obviamente, só depois que eu beber, comer e fumar feito porco nas festas, gastar toda a grana com roupa e presentes e matar todas as últimas aulas do fim do semestre. Afinal, é fim de ano.

Época de pensar em novos projetos, na realização pessoal, e em novos horizontes! Mas só depois que passar o carnaval, porque até lá, eu pretendo me manter bêbado.

Hora de gastar milhões em creme, fechar a boca e malhar feito doida pra queimar toda aquela banha que juntei no inverno e ficar gostosona pro verão! Porque meu bem, é fim de ano! E eu não vou lembrar de murchar a barriga na praia porque estarei muito bêbada. E eu já disse que é fim de ano, né?

Hoje mesmo, quando eu voltava do trabalho, São Pedro resolveu caprichar e fez cair o céu em Americana. Eis que, no meio daquela chuva torrencial, me vinha um rechonchudinho com um mp3 na mão (wtf!?), num cooper todo tranqüilo. Comentário pertinente de uma companheira de trabalho que se encontrava no carro: “Ah, mas agora o pessoal tá todo doido pra se cuidar, sabe cumé, é que fim de ano tá aí, né?”

É.

E eu já falei que vou ficar muito bêbada? Mas dia primeiro eu paro. De vez. Sério.

Viajar é preciso, voar… bem, depende.

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 Já tinha enfrentado 8 horas de terror na ida pra BH. E isso pagando oitenta reals num ônibus (dito) executivo que nem travesseirinho tinha. Mundo cão. E agora era: enfrentar as mesmas oito horas num ônibus convencional e perder o segundo dia do Blogcamp, ou então pagar duzentos contos numa passagem de avião, mas aproveitar o domingo e chegar em casa em, no máximo, duas horinhas. A conta no banco perdeu a batalha. No more bunda quadrada, noite em claro e hipotermia (quase!).

Eu nunca havia viajado de avião, então fiquei eufórica. Estava feliz por voltar rápido e chegar cedo, pela fadiga evitada, e pela novidade toda, enfim. Então, depois de participar das últimas horas de desconferência (as mais produtivas por conta da total informalidade), e encher a pança almoçar muito bem, tomamos o rumo do aeroporto. Eu, Mobila e Ian.

Ao chegar, tudo me parecia belo. Ao menos naquele momento, era um lugar tranqüilo e civilizado, sem a correria e a bagunça das rodoviárias. Ao invés de vendedores afoitos e barraca de cocrete havia um café. Dois cafés. E uma mini livraria. Oh, belo.

Tínhamos muito tempo, principalmente depois de pular toda a gigantesca fila do check in por não termos bagagem, então fomos para a sala de embarque, e permanecemos ali, fuçando os livros da tal livrariazinha (segundo o corretor ortográfico não existe, mas eu quero).

Fui ao banheiro, e a moça na caixa de som ao lado da pia avisou que o meu avião já se encontrava no aeroporto. Ai, que emoção. Alguns minutos depois, estávamos na fila para o embarque, mais alguns minutos e pude avistar uma aeromoça com cabelos ruivos e encaracolados e cara de cu. Posso falar cu aqui, né? E você sabe que cu não tem acento, né? Então beleza.

Enfim, ao adentrar aquele maravilhoso pássaro de ferro, cheguei à seguinte conclusão:

Puta cidadã cuja renda provém do “comércio” do próprio corpo que o pariu! Que busão comprido.”

É, parecia um ônibus extra large, e só. Nada demais. Não sei o que eu esperava, mas não chegou. Depois disso, me dirigi ao meu assento e descobri que não era na janelinha. Aí eu fiquei puta. Rezei pra que quem quer que fosse na minha janelinha ficasse entupido na privada, mas não funcionou. Um senhor rechonchudo apareceu, e ainda me fez levantar pra se sentar. Na minha janelinha. Eu queria matar aquele gordo. Isso sem saber que ele ainda iria dormir a maior parte do vôo. Pra quê janelinha se você vai dormir, estrupício? Eu não me conformei.

Não havendo o que fazer, decidi seguir o conselho de Ian e prestar atenção no inglês ruim das comissárias de bordo. Aquilo me distraiu. Mas eu perdi o lance dos bracinhos porque o banco era alto demais pra mim e eu não enxergava.

E foi em algum momento entre os bracinhos e a luz do cinto acendendo, que eu fui me dar conta da minha situação. Eu ia tirar o pé do chão. E não era no melhor estilo Ivete Sangalo.

Quando o avião pegou velocidade pra subir, meu estômago devia estar meio solitário, porque foi bater um papo com os meus pulmões. E depois que comi o lanchinho servido no avião, ficaram todos ali: a barrinha de cereais, os amendoins, o suco, meu esôfago e meu estômago, todos confraternizando com os meus pulmões.

Outro que não estava feliz em seu habitat natural era o meu cérebro, rodando dentro da minha cabeça e tentando sair pelo ouvido. Não bastasse meu inconsciente, todos os meus órgãos também são babacas. Bom saber.

De qualquer forma, o vôo teria sido apenas tranquilamente incômodo do início ao fim. Mas não é o fim até que acabe. E não acabou exatamente tranquilo. Não pra mim.

Quando eu me preparava pra ir ao banheiro, a luzinha do cinto acende novamente. Era hora de descer. Eu me preparei para o enjôo da mudança de pressão, mas não para o quase-infarto que estava por vir. E assim que o avião tocou o chão, eu tive kinda 3 segundos de paz pra soltar o ar dos pulmões. Até o piloto ligar o famoso reverso da turbina…

Apenas uma foto poderia explicar o que o Mobilon, sentado ao meu lado, presenciou quando o avião deu AQUELE tranco. Eu, colada na cadeira, arrancando o braço dele, com os olhos esbugalhados e quase chorando. Eu sou do interior, sempre digo. Nunca havia voado. Era congonhas. Certeza que eu ia morrer. Óbvio. O mais próximo do que passou pela minha cabeça naquele momento único seria um singelo “putaquepariumaspobresósefodemesmoviuquemerda!”.

Mas o avião parou, e tudo estava bem. E eu estava inteira, pronta pra lembrar que ainda tinha que pegar o ônibus de Sampa pra Americana. Sim. O nome disso, pra quem não sabe, é karma. Ou eu é que tenho que ter muita carma (péssima).

Anyway, tô pronta pra próxima, que rola (voa) na sexta. Rumo ao Blogcamp PR. Apertem os cintos. E que o reverso não falhe, amém.

Blogcamp BH - Quer história? Então toma!

A Saga 

Quem é leitor do Substantivolátil há algum tempo, já conhece a minha história de amor mais famosa… com o Murphy. E quem sabe disso, sabe também que ele é tão simpático e cuidadoso, que aparece em TODOS os feriados prolongados com várias surpresinhas agradáveis. Então, para que o relato sobre o Blogcamp MG fique devidamente contextualizado, vamos lembrar que esse foi (e ainda está sendo) um mega feriado prolongado. Ok, game on.

Sexta, lá pelas seis e meia da tarde, depois de muita corrente de oração, ebó do forte e apelo por escrito com assinatura reconhecida em cartório de qualquer fanfarrão importante, fui finalmente convencida a comparecer ao Blogcamp em Belo Horizonte.

Passagens pra BH devidamente adquiridas on line, bastava juntar os cacarecos e mandar bala pra Sampa, de onde saía o ônibus-executivo-com-leito-pelamordedeus pra MG. Afinal, oito horas de viagem em ônibus convencional nem saco-roxo aguenta. Eu desafio.

E pra quem não sabe, eu e meu companheiro de aventuras temos a estúpida mania de fazer as coisas do modo mais hippie possível, sempre otimistas, certos de que no fim, tudo acaba bem. E geralmente acaba mesmo, mas dessa vez havia o fator feriado prolongado na equação. E foi aí que a coisa começou a ficar bonita: chegando na rodoviária, havia apenas UM lugar no ônibus pra São Paulo.

Olha, eu nunca fui muito boa em física, mas se tem uma coisa que eu me lembro é que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. E o cara do guichê sabia bem disso. Nos dois minutos seguintes de indecisão, enquanto olhávamos um pro outro com cara de banana, o cara que estava atrás da gente na fila passou e comprou o bilhete premiado. Agora não tinha mais lugar nenhum. E o ônibus pra BH lá de Sampa acenando pra gente. E o Murphy no assento do motorista, com aquele sorriso besta.

Depois de descartar algumas possibilidades, resolvemos apelar e contratar o serviço cujo custo não passa de alguns minutos perdidos e um magnífico poder de persuasão: a carona familiar. Mais ou menos assim:

-Mããããe! Pelamordedeusnãotinhamaislugarnobusãoeláemsãopaulosaidezequinze! AgentenãotemcomoirpelamordedeusajudaagentevamoperdeOITENTACONTO!

Depois de xingar um pouco eles acabam concordando, como aconteceu. Afinal, prole é prole.

Vamos passar rapidamente pela parte do nosso velho amigo (desconjuro e vá de retro) ônibus, dessa vez com leito mas sem travesseiro e/ou cobertorzinho, o ar condicionado no talo com força total e eu de jaquetinha jeans. Oito horas acordada e tremendo dentro de um ônibus é pra quem tem Murphy no coração, maluco.

Chegando em BH, ÓBVIO que a gente não tinha hotel reservado, pra honrar o hippie-blogger lifestáioul. Mas tínhamos o endereço de onde FugitaHelder, Lu Monte e Bruno Dulcetti estariam hospedados. Só que o Mobilon esqueceu de levar. É. E depois de perambular pela Antônio Afonso Pena por uns 40 minutos, acabamos acordando o Fugita e o Arcanjo (às 7 da matina) pra descobrir que o hotel era do lado da rodoviária. Eu digo que as pessoas deveriam me atirar coisas na cabeça, mas ninguém leva a sério.

O Encontro

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Sem dúvida, um dos melhores que eu já tive a oportunidade de participar! Tudo muito light, sem grandes conflitos, um clima muito aconchegante, onde ficava fácil se posicionar sem a mínima pressão. Tirando é claro, o momento em que todos descobrimos que somos mambembes e acabaremos na latrina, segundo o cc da www. Com nofollow, lóóóóchico.

Descobrimos também que o Arcanjo não tem a MÍNIMA NOÇÃO. Ele pensou que fosse alimentar a torcida do Flamengo, e apesar de muito boa, acabou sobrando comida pra doar! Literalmente. Já a cerveja…

E por falar em cerveja, os belo horizontinos tem um lema muito porreta, principalmente pra quem bebe feito porco e o bolso não acompanha: “Sentou, sorriu, a conta dividiu”.  Pois sorriremos à valer em Curitiba!

Bom, coleguinhas, por hoje é só, mas já adianto que a minha volta pra casa de avião merecerá um post a parte. Be prepared.

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