Sacodindo a poeira
Eu ainda não morri, nem fui abduzida, nem fugi para a minha ilha paradisíaca secreta pra viver feliz para sempre com o Johnny Depp (opa, falei..), e sim, cá estou novamente, meus caros, pronta pra dar a minha explanação. Pra dá o papo reto, tá ligado?
Eis que, numa bela manhã de segunda, eu acordo com a simpatia em pessoa que é a minha mãe irritada, quase me atirando um jornal nas fuças:
-Toma aí, pra você dar uma olhada.
Isso porque eu havia dito que estava cansada de ficar em casa interagindo apenas virtualmente com as pessoas - já fazia quase um ano que eu lidava apenas com o blog, desde que havia dado um pé no meu último job de fotógrafa/ maquiadora/ produtora /vendedora /faxineira /arte-finalista /por um salário miserável.
Só que eu jamais consegui explicar pros progenitores como eu arranjava dinheiro pra pagar a faculdade ficando sentada na frente do computador o dia todo. Capaz que eles já me visualizavam como uma chefe do crime e tal. Ô vida bandida. Enfim.
Foi assim que, voltando à bela manhã de segunda, eu peguei os classificados e mandei um ÚNICO currículo por email, quase que por desencargo descargo de consciência.
Passaram-se os dias, e eis que na quinta-feira, lá pro horário do almoço, me liga um sujeito pedindo pra eu estar indo comparecer a um certo endereço, às 3 da tarde. Ô beleza, bem no meio da faxina! A casa de ponta cabeça e eu - lerê lerê - ia ter que parar tudo e provavelmente terminar no final de semana. Mas fui.
Chegando ao local, a ameba que vos fala caiu em si: esquecera o papel com o endereço. Lembrava o nome da rua, mas não o número. Depois de perambular uns 15 minutos, já desanimada e falando sozinha um putaquepariuquemerdasuacagada, avisto uma cidadã perdida, olhando pra uma porta. Eu, mais do que depressa e sem a mínima cerimônia:
-Tá procurando a entrevista?
-Tô sim… (risinho sem graça)
-Mas você sabe o número?
-Sei, sim, é esse aí.
-Opa, então é aqui mesmo que eu tô.
Entrei rápido, deixando a gordinha pra trás. Cheguei atrasada, óbvio, e quando vi, havia umas 10 meninas sentadas em torno de uma mesa oval, mais dois caras no final da mesa: os chefes.
A coisa toda era uma dinâmica, onde deveríamos escolher o nome de um fanfarrão famoso, a quem admirássemos por um motivo qualquer. Percebi o nível da situação quando vi que meu Luis Fernando Verissimo competia com Alline Moraes, Marjorie Estiano, Will Smith, Ana Hickman e a mãe do Harry Potter. Ai Jisuis.
As candidatas encarnariam seus respectivos personagens, e estariam todos em um balão prestes a cair. Objetivo: induzir as outras pessoas a pularem do balão. Meu argumento base: devemos contribuir para a perpetuação cultural. E foi sob esse argumento que pularam Alline Moraes, Marjorie, Ana Hickman. Ana Paula Arósio era mais forte, tivemos que jogá-la.
Enfim, depois dessa, fui pra casa refletindo sobre como metade da juventude de hoje poderia simplesmente explodir. No fim de semana seguinte fui para o Rio, dar as caras no Blogcamp. Depois de vários passeios, bares, muita cerveja, encontro, viagens intermináveis de ônibus, horas e horas sem dormir direito, cheguei ao meu querido lar na segunda, lá pelas 10 da manhã. Ao invés de dormir passei o dia terminando a faxina da quinta anterior e fuçando a blogosfera ainda contagiada com o encontro. Quatro e meia da tarde me liga o mesmo sujeito, pedindo pra estar lá em uma hora. E vamos nós, tomei o banho mais rápido da vida e fui. Uma segunda eliminatória.
Depois disso fui pra faculdade, e lá mesmo recebo a notícia: parabéns, contratada, beijinho, beijinho, o treinamento começa amanhã, às 8, em Limeira.
Ah, tá. Fodeu.
Pulei da cama às CINCO da manhã e fui dormir à meia noite todos os dias nas duas semanas seguintes a esse episódio, fato que MOEU a minha pessoa física e psicológicamente. Mas agora sim, meus caros, estou de volta ao ritmo anormal, pronta pra voltar a filosofar sobre nada com vocês. E altas histórias virão.
Nota: Aproveitando, gostaria de dizer que, embora minha pequena presença tenha sido cancelada no Blogcamp BH, podem me aguardar em Curitiba, visse!











